quinta-feira, 13 de janeiro de 2011

O TEXTO COMO CENTRO DAS EXPERIÊNCIAS NO ENSINO DA LÍNGUA -UMA PROPOSTA SOBRE VARIAÇÕES LINGUÍSTICAS E A INTERTEXTUALIDADE

A professora iniciou a oficina com o video “Quixeramobim”, que apresenta um texto oral de um locutor de radio. Pediu para que os professores dessem sugestões de como trabalhar a linguagem coloquial a partir desse texto.

Em seguida, fizeram a leitura do texto “Nóis mudemo”, em forma de dramatização, e realizaram uma reflexão sobre os Lúcios que são barrados nas salas de aula por não terem uma linguagem próxima da que se fala na escola.

TEXTO: "NÓIS MUDEMO"

O ônibus da Transbrasiliana deslizava manso pela Belém-Brasília rumo a Porto Nacional. Era abril, mês das derradeiras chuvas. No céu, uma luazona enorme pra namorado nenhum botar defeito. Sob o luar generoso, o cerrado verdejante era um presépio, todo poesia e misticismo.
Mas minha alma estava profundamente amargurada. O encontro daquela tarde, a visão daquele jovem marcado pelo sofrimento, precocemente envelhecido, a crua recordação de um episódio que parecia tão banal... Tentei dormir. Inútil. Meus olhos percorriam a paisagem enluarada, mas ela nada mais era para mim que o pano de fundo de um drama estúpido e trágico.
As aulas tinham começado numa segunda-feira. Escola de periferia, classes heterogêneas, retardatários. Entre eles, uma criança crescida, quase um rapaz.
- Por que você faltou esses dias todos?
- É que nóis mudemo onti, fessora. Nóis veio da fazenda.
Risadinhas da turma.
- Não se diz "nóis mudemo", menino! A gente deve dizer: "nós mudamos", tá?
-Tá, fessora!
No recreio, as chacotas dos colegas: "Oi, nóis mudemo!" "Até amanhã, nóis mudemo!" No dia seguinte, a mesma coisa: risadinhas, cochichos, gozações.
- Pai, não vô mais pra escola!
- Oxente! Modi quê?
Ouvida a história, o pai coçou a cabeça e disse:
- Meu fio, num deixa a escola por uma bobagem dessa! Não liga pras gozações da meninada! Logo eles esquece.
Não esqueceram.
Na quarta-feira, dei pela falta do menino. Ele não apareceu no resto da semana, nem na segunda-feira seguinte. Aí me dei conta de que eu nem sabia o nome dele. Procurei no diário de classe e soube que se chamava Lúcio - Lúcio Rodrigues Barbosa. Achei o endereço. Longe, um dos últimos casebres do bairro. Fui lá, uma tarde. O rapazola tinha partido no dia anterior para a casa de um tio, no sul do Pará.
- É, professora, meu fio não aguentou as gozação da meninada. Eu tentei fazê ele continua, mas não teve jeito. Ele tava chateado demais. Bosta de vida! Eu devia di té ficado na fazenda côa famia. Na cidade nóis não tem veis. Nóis fala tudo errado.
Inexperiente, confusa, sem saber o que dizer, engoli em seco e me despedi.
O episódio ocorrera há dezessete anos e tinha caído em total esquecimento, ao menos de minha parte.
Uma tarde, num povoado à beira da Belém-Brasília, eu ia pegar o ônibus, quando alguém me chamou. Olhei e vi, acenando para mim, um rapaz pobremente vestido, magro, com aparência doentia.
- O que é, moço?
- A senhora não se lembra de mim, fessora?
Olhei para ele, dei tratos à bola. Reconstituí num momento meus longos anos de sacerdócio, digo, de magistério. Tudo escuro.
- Não me lembro não, moço. Você me conhece? De onde? Foi meu aluno? Como se chama?
Para tantas perguntas, uma resposta lacônica:
- Eu sou "Nóis mudemo”, lembra?
Comecei a tremer.
- Sim, moço. Agora lembro. Como era mesmo seu nome?
- Lúcio - Lúcio Rodrigues Barbosa.
- O que aconteceu com você?
- O que aconteceu? Ah! fessora! É mais fácil dizê o que não aconteceu. Comi o pão que o diabo amasso. E êta diabo bom de padaria! Fui garimpeiro, fui bóia-fria, um "gato" me arrecadou e levou num caminhão pruma fazenda no meio da mata. Lá trabaiei como escravo, passei fome, fui baleado quando consegui fugi. Peguei tudo quanto é doença. Até na cadeia já fui pará. Nóis ignorante às veis fais coisa sem querê fazé. A escola fais uma farta danada. Eu não devia de té saído daquele jeito, fessora, mas não aguentei as gozação da turma. Eu vi logo que nunca ia consegui fala direito. Ainda hoje não sei.
- Meu Deus!
Aquela revelação me virou pelo avesso. Foi demais para mim. Descontrolada, comecei a soluçar convulsivamente. Como eu podia ter sido tão burra e má? E abracei o rapaz, o que restava do rapaz, que me olhava atarantado.
O ônibus buzinou com insistência. O rapaz afastou-me de mim suavemente.
- Chora não, fessora! A senhora não tem curpa.
- Como? Eu não tenho culpa? Deus do céu!
Entrei no ônibus apinhado. Cem olhos eram cem flechas vingadoras apontadas para mim. O ônibus partiu. Pensei na minha sala de aula. Eu era uma assassina a caminho da guilhotina.
Hoje tenho raiva da gramática. Eu mudo, tu mudas, ele muda, nós mudamos, mudamos, mudaamoos, mudaaamooos... Superusada, mal usada, abusada, ela é uma guilhotina dentro da escola. A gramática faz gato e sapato da língua materna - a língua que a criança aprendeu com seus pais, irmãos e colegas - e se torna o terror dos alunos. Em vez de estimular e fazer crescer, comunicando, ela reprime e oprime, cobrando centenas de regrinhas estúpidas para aquela idade.
E os lúcios da vida, os milhares de lúcios da periferia e do interior, barrados nas salas de aula: "Não é assim que se diz, menino!" Como se o professor quisesse dizer: "Você está errado! Os seus pais estão errados! Seus irmãos e amigos e vizinhos estão errados! A certa sou eu! Imite-me! Copie-me! Fale como eu! Você não seja você! Renegue suas raízes! Diminua-se! Desfigure-se! Fique no seu lugar! Seja uma sombra! E siga desarmado pelo matadouro da vida..."
(Fidêncio Baga)

Após, discutiram os principais pontos a respeito do objeto TEXTO
  • Todas as nossas interações se processam por meio de textos.
  • Texto é toda e qualquer unidade de informação, no contexto da enunciação.
            Nesse sentido, os textos aparecem nas mais diversas linguagens, classificando-se em verbais e não-verbais.
·        O texto independe de extensão.
·        O texto verbal pode apresentar-se na linguagem oral ou na linguagem escrita.
·        Leitura é o processo de atribuição de significado a qualquer texto, em qualquer
linguagem.
  • O ensino-aprendizagem de qualquer língua deve dar-se com o uso de textos, porque é por meio deles que pensamos e interagimos.
  • O texto deve ser o centro de todas as atividades que envolvem o ouvir, o falar, o ler e o escrever.
Da mesma forma, a análise linguística só pode ser significativa para os alunos, se apoiada em textos que contextualizam cada uso do vocabulário e da morfossintaxe.

1 - Os processos intertextuais que envolvem o texto inteiro:
a) paráfrase: acompanha de perto o texto original, como ocorre nos resumos, adaptações e traduções;
b) paródia: inverte ou modifica a narrativa, sua lógica, sua idéia central. Em geral, é crítica;
c) pastiche: procura aproveitar a estrutura, o clima, determinados recursos de uma obra.
2 – Os processos intertextuais pontuais que retomam um ou alguns elementos do texto:
a) citação: consiste em apresentar um trecho, um dado da obra. O segundo texto procura deixar claro o texto original. No caso do texto verbal, o autor do original é indicado;
b) epígrafe: tem as mesmas características da citação, mas tem localização fixa: aparece sempre como abertura do segundo texto;
c) referência: é a lembrança de passagem ou personagem de outro texto;
d) alusão: é o aproveitamento de um dado de um texto, sem indicações ou explicitações.
A intertextualidade é a presença, subjacente ao nosso texto, de outras vozes e outros textos, com os quais dialogamos o tempo todo, mesmo sem ter consciência disso. Apesar de ser enfocada sobretudo nas artes e ser um estudo relativamente recente, a intertextualidade sempre esteve presente em todas as interações humanas.

A Intertextualidade pode ser definida como um diálogo entre dois textos. Observe os dois textos abaixo e note como Murilo Mendes (século XX) faz referência ao texto de Gonçalves Dias (século XIX): 
 
Canção do Exílio  
"Minha terra tem palmeiras,
Onde canta o Sabiá; 
As aves, que aqui gorjeiam, 
Não gorjeiam como lá. 

Nosso céu tem mais estrelas, 
Nossas várzeas têm mais flores, 
Nossos bosques têm mais vida
Nossa vida mais amores. 

Em cismar, sozinho, à noite, 
Mais prazer encontro eu lá; 
Minha terra tem palmeiras, 
Onde canta o Sabiá. 

Minha terra tem primores, 
Que tais não encontro eu cá; 
Em cismar — sozinho, à noite — 
Mais prazer encontro eu lá; 
Minha terra tem palmeiras,
Onde canta o Sabiá. 

Não permita Deus que eu morra, 
Sem que eu volte para lá; 
Sem que desfrute os primores 
Que não encontro por cá; 
Sem qu’inda aviste as palmeiras, 
Onde canta o Sabiá." 

Gonçalves Dias
Canção do Exílio
Minha terra tem macieiras da Califórnia
onde cantam gaturamos de Veneza. 
Os poetas da minha terra 
são pretos que vivem em torres de ametista, 
os sargentos do exército são monistas, cubistas, 
os filósofos são polacos vendendo a prestações.
gente não pode dormir 
com os oradores e os pernilongos. 
Os sururus em família têm por testemunha a 
                                                      [ Gioconda 
Eu morro sufocado 
em terra estrangeira. 
Nossas flores são mais bonitas 
nossas frutas mais gostosas
mas custam cem mil réis a dúzia. 

Ai quem me dera chupar uma carambola de 
                                        [ verdade 
e ouvir um sabiá com certidão de idade! 
                                             
               Murilo Mendes


    
     
      
   

    
    

Nota-se que há correspondência entre os dois textos. A paródia-piadista de Murilo Mendes é um exemplo de intertextualidade, uma vez que seu texto foi criado tomando como ponto de partida o texto de Gonçalves Dias. 

Na literatura, e até mesmo nas artes, a intertextualidade é persistente. Veja o texto de Luís Fernando Veríssimo, por exemplo, a respeito do conto de fadas "A princesa e o sapo":


CONTO DE FADAS DO SÉCULO XXI

Era uma vez, numa terra muito distante uma linda princesa independente e cheia de auto-estima que, enquanto contemplava a natureza e pensava em como o maravilhoso lago de seu castelo estava de acordo com as conformidades ecológicas, se deparou com uma rã. Então a rã pulou no seu colo e disse:
- Linda princesa, eu já fui um príncipe muito bom. Uma bruxa má lançou-me um encanto e transformou-me nessa rã asquerosa. Um beijo teu, no entanto, há de me transformar de novo num belo e poderemos casar e constituir um lar feliz em teu lindo castelo. A minha mãe pode vir morar conosco e tu poderias preparar o meu jantar, lavarias as minhas roupas, criarias os nossos filhos e viveríamos felizes para sempre!
Naquela noite, enquanto saboreava pernas de rã à sautée, acompanhadas de um cremoso molho acebolado e de um finíssimo vinho branco, a princesa sorria e pensava:
“NEM FUDENDO”


Sabemos que todo texto, seja ele literário ou não, é oriundo de outro, seja direta ou indiretamente. Qualquer texto que se refere a assuntos abordados em outros textos é exemplo de intertextualização.

A intertextualidade está presente também em outras áreas, como na pintura, veja as várias versões da famosa pintura de Leonardo da Vinci, Mona Lisa:

Mona Lisa, Leonardo da Vinci. Óleo sobre tela, 1503.

Mona Lisa, de Marcel Duchamp, 1919.
 
Mona Lisa, Fernando Botero, 1978.

Mona Lisa, propaganda publicitária.

Por Marina Cabral
Especialista em Língua Portuguesa e Literatura 
Equipe Brasil Escola

 Em seguida, houve o trabalho com a intertextualidade a partir MonicalisaChico-Esfinge, Cebolinha  O Pensador (De Planos Infalíveis!) e Magali e Mônica de Rosa e Azul, todas de Mauricio de Souza.
 
     
 
Para explorar a intertextualidade entre a obra original  e as paródias de Mauricio de Souza, a professora colocou as duas imagens juntas na mesma página e foi perguntando se eles conheciam a tela, o pintor, o ano, o país, o porque da obra ser importante e ser conhecida mundialmente ....a maioria não conhecia as telas. Levou, então, as informações sobre cada obra; Monalisa, de Leonardo Da Vinci, a figura da Esfinge, no Egito, a escultura do O Pensador, do francês Auguste Rodin e Rosa e Azul, de Renoir.
Os professores gostaram muito da proposta de trabalho, pois partindo de personagens conhecidos deles você oportuniza a apropriação de conhecimentos sobre arte, grandes obras, fruição da obra, ou seja, apreciação significativa da obra, reflexão (contextualização histórica ) e produção (fazer artístico).
Foi entregue a eles os textos:  Chapeuzinho Amarelo, de Chico Buarque, Fita Verde no cabelo, de Guimarães Rosa e Chapeuzinho Vermelho de raiva, de Mario Prata – todos são paródias do conto Chapeuzinho Vermelho - para que trabalhem com os alunos.

Fita Verde no Cabelo - João Guimarães Rosa

    Havia uma aldeia em algum lugar, nem maior nem menor, com velhos e velhas que velhavam, homens e mulheres que esperavam, e meninos e meninas que nasciam e cresciam. Todos com juízo, suficientemente, menos uma meninazinha, a que por enquanto. Aquela, um dia, saiu de lá, com uma fita inventada no cabelo.
    Sua mãe mandara-a, com um cesto e um pote, à avó, que a amava, a uma outra e quase igualzinha aldeia. Fita - Verde  partiu, sobre logo, ela a linda, tudo era uma vez. O pote continha um doce em calda, e o cesto estava vazio, que para buscar fambroesas.
    Daí, que, indo no atravessar o bosque, viu só os lenhadores, que por lá lenhavam; mas o lobo nenhum, desconhecido, nem peludo. Pois os lenhadores tinham exterminado o lobo. Então ela, mesma, era quem dizia: "Vou à vovó, com cesto e pote, e a fita verde no cabelo, o tanto que a mamãe me mandou". A aldeia e a casa esperando-a acolá, depois daquele moinho, que a gente pensa que vê, e das horas, que a gente não vê que não são.
    E ela mesma resolveu escolher tomar este caminho de cá, louco e longo e não o outro, encurtoso. Saiu, atrás de suas asas ligeiras, sua sombra também vindo-lhe correndo, em pós. Divertia-se com ver as avelãs do chão não voarem, com inalcançar essas borboletas nunca em buquê nem em botão, e com ignorar se cada uma em seu lugar as plebeinhas flores, princesinhas e incomuns, quando a gente tanto passa por elas passa. Vinha sobejadamente.
    Demorou, para dar com a avó em casa, que assim lhe respondeu, quando ela, toque, toque, bateu:
    - "Quem é?"
    - "Sou eu..." - e Fita Verde descansou a voz. - "Sou sua linda netinha, com cesto e com pote, com a Fita Verde no cabelo, que a mamãe me mandou."
    Vai, a avó difícil, disse: - "Puxa o ferrolho de pau da porta, entra e abre. Deus a abençoe."
    Fita Verde assim fez, e entrou e olhou.
    A avó estava na cama, rebuçada e só. Devia, para falar apagado e fraco e rouco, assim, de ter apanhado um ruim defluxo. Dizendo: - "Depõe o pote e o cesto na arca, e vem para perto de mim, enquanto é tempo."
    Mas agora Fita Vede se espantava, além de entristecer-se de ver que perdera em caminho sua grande fita verde no cabelo atada; e estava suada, com enorme fome de almoço. Ela perguntou:
    - "Vovozinha, que braços tão magros, os  seus, e que mãos tão trementes!"
    - "É porque não vou poder nunca mais te abraçar, minha neta...." - a avó murmurou.
    - "Vovozinha, mas que lábios, aí, tão arroxeados".
    - "É porque não vou nunca mais poder te beijar, minha neta..." - a avó suspirou.
    - "Vovozinha, e que olhos tão fundos e parados, nesse rosto encovado, pálido?"
    - "É porque já não estou te vendo, nunca mais, minha netinha...." - a avó ainda gemeu.
    Fita Verde mais se assustou, como se fosse ter juízo pela primeira vez.
    Gritou: - "Vovozinha, eu tenho medo do Lobo!..."
    Mas a avó não estava  mais lá, sendo que demasiado ausente, a não ser pelo frio, triste e tão repentino corpo.

Chapeuzinho Vermelho de Raiva - Mario Prata

- Senta aqui mais perto, Chapeuzinho. Fica aqui mais pertinho da vovó, fica.
- Mas vovó, que olho vermelho... E grandão... Queque houve?
- Ah, minha netinha, estes olhos estão assim de tanto olhar para você. Aliás, está queimada, heim?
- Guarujá, vovó. Passei o fim de semana lá. A senhora não me leva a mal, não, mas a senhora está com um nariz tão grande, mas tão grande! Tá tão esquisito, vovó.
- Ora, Chapéu, é a poluição. Desde que começou a industrialização do bosque que é um Deus nos acuda. Fico o dia todo respirando este ar horrível. Chegue mais perto, minha netinha, chegue.
- Mas em compensação, antes eu levava mais de duas horas para vir de casa até aui e agora , com a estrada asfaltada, em menos de quinze minutos chego aqui com a minha moto.
- Pois é, minha filha. E o que tem aí nesta cesta enorme?
- Puxa, já ia me esquecendo: a mamãe mandou umas coisas para a senhora. Olha aí: margarina, Helmmans, Danone de frutas e até uns pacotinhos de Knorr, mas é para a senhora comer um só por dia, viu? Lembra da indigestão do carnaval?
- Se lembro, se lembro...
- Vovó, sem querer ser chata.
Ora, diga.
- As orelhas. A orelha da senhora está tão grande. E ainda por cima, peluda. Credo, vovó!
- Ah, mas a culpada é você. São estes discos malucos que você me deu. Onde á se viu fazer música deste tipo? Um horror! Você me desculpe porque foi você que me deu, mas estas guitarras, é guitarra que diz, não é? Pois é; estas guitarras são muito barulhentas. Não há ouvido que agüente, minha filha. Música é a do meu tempo. Aquilo sim, eu e seu finado avô, dançando valsas... Ah, esta juventude está perdida mesmo.
- Por falar em juventude o cabelo da senhora está um barato, hein? Todo
desfiado, pra cima, encaracolado. Que qué isso?
- Também tenho que entrar na moda, não é, minha filha? Ou você queria que
eu fosse domingo ao programa do Chacrinha de coque e com vestido preto com bolinhas brancas?
Chapeuzinho pula para trás:
- E esta boca imensa???!!!
A avó pula da cama e coloca as mãos na cintura, brava:
- Escuta aqui, queridinha: você veio aqui hoje para me criticar é?!
Chapeuzinho Amarelo


Era a Chapeuzinho Amarelo.
Amarelada de medo.
Tinha medo de tudo, aquela Chapeuzinho.

Já não ria.
Em festa, não aparecia.
Não subia escada, nem descia.
Não estava resfriada, mas tossia.
Ouvia conto de fada, e estremecia.
Não brincava mais de nada, nem de amarelinha.

Tinha medo de trovão.
Minhoca, pra ela, era cobra.
E nunca apanhava sol, porque tinha medo da sombra.

Não ia pra fora pra não se sujar.
Não tomava sopa pra não ensopar.
Não tomava banho pra não descolar.
Não falava nada pra não engasgar.
Não ficava em pé com medo de cair.
Então vivia parada, deitada, mas sem dormir, com medo de pesadelo.
Era a Chapeuzinho Amarelo…

E de todos os medos que tinha
O medo mais que medonho era o medo do tal do LOBO.
Um LOBO que nunca se via,
que morava lá pra longe,
do outro lado da montanha,
num buraco da Alemanha,
cheio de teia de aranha,
numa terra tão estranha,
que vai ver que o tal do LOBO
nem existia.

Mesmo assim a Chapeuzinho
tinha cada vez mais medo do medo do medo
do medo de um dia encontrar um LOBO.
Um LOBO que não existia.

E Chapeuzinho amarelo,
de tanto pensar no LOBO,
de tanto sonhar com o LOBO,
de tanto esperar o LOBO,
um dia topou com ele
que era assim:
carão de LOBO,
olhão de LOBO,
jeitão de LOBO,
e principalmente um bocão
tão grande que era capaz de comer duas avós,
um caçador, rei, princesa, sete panelas de arroz…
e um chapéu de sobremesa.

Finalizando…
Mas o engraçado é que,
assim que encontrou o LOBO,
a Chapeuzinho Amarelo
foi perdendo aquele medo:
o medo do medo do medo do medo que tinha do LOBO.
Foi ficando só com um pouco de medo daquele lobo.
Depois acabou o medo e ela ficou só com o lobo.

O lobo ficou chateado de ver aquela menina
olhando pra cara dele,
só que sem o medo dele.
Ficou mesmo envergonhado, triste, murcho e branco-azedo,
porque um lobo, tirado o medo, é um arremedo de lobo.
É feito um lobo sem pelo.
Um lobo pelado.
O lobo ficou chateado.

Ele gritou: sou um LOBO!
Mas a Chapeuzinho, nada.
E ele gritou: EU SOU UM LOBO!!!
E a Chapeuzinho deu risada.
E ele berrou: EU SOU UM LOBO!!!!!!!!!!

Chapeuzinho, já meio enjoada,
com vontade de brincar de outra coisa.
Ele então gritou bem forte aquele seu nome de LOBO
umas vinte e cinco vezes,
que era pro medo ir voltando e a menininha saber
com quem não estava falando:
LO BO LO BO LO BO LO BO LO BO LO BO LO BO LO BO LO BO LO BO LO

Aí, Chapeuzinho encheu e disse:
"Pára assim! Agora! Já! Do jeito que você tá!"
E o lobo parado assim, do jeito que o lobo estava, já não era mais um LO-BO.
Era um BO-LO.
Um bolo de lobo fofo, tremendo que nem pudim, com medo de Chapeuzim.
Com medo de ser comido, com vela e tudo, inteirim.
Chapeuzinho não comeu aquele bolo de lobo,
porque sempre preferiu de chocolate.

Aliás, ela agora come de tudo, menos sola de sapato.
Não tem mais medo de chuva, nem foge de carrapato.
Cai, levanta, se machuca, vai à praia, entra no mato,
Trepa em árvore, rouba fruta, depois joga amarelinha,
com o primo da vizinha, com a filha do jornaleiro,
com a sobrinha da madrinha
e o neto do sapateiro.

Mesmo quando está sozinha, inventa uma brincadeira.
E transforma em companheiro cada medo que ela tinha:

O raio virou orrái;
barata é tabará;
a bruxa virou xabru;
e o diabo é bodiá.

FIM
( Ah, outros companheiros da Chapeuzinho Amarelo:
o Gãodra, a Jacoru,
o Barãotu, o Pão Bichôpa…
e todos os tronsmons).



Por último, foi entregue, também, os textos: Poema de sete faces, de Carlos Drummond de andrade, Com licença poética, de Adelia Prado, Até o fim, de Chico Buarque de Holanda, Let’s play that, de Torquato Neto e Anjo, de Sidnei Olívio. A partir do poema de Carlos D. de Andrade os outros escritores fizeram paródias.

Poema de sete faces - Carlos Drummond de Andrade
Quando nasci, um anjo torto
desses que vivem na sombra
disse: Vai, Carlos! ser gauche na vida.
As casas espiam os homens
que correm atrás de mulheres.
A tarde talvez fosse azul,
não houvesse tantos desejos.
O bonde passa cheio de pernas:
pernas brancas pretas amarelas.
Para que tanta perna, meu Deus, pergunta meu coração.
Porém meus olhos
não perguntam nada.
O homem atrás do bigode
é sério, simples e forte.
Quase não conversa.
Tem poucos, raros amigos
o homem atrás dos óculos e do bigode.
Meu Deus, por que me abandonaste
se sabias que eu não era Deus,
se sabias que eu era fraco.
Mundo mundo vasto mundo
se eu me chamasse Raimundo
seria uma rima, não seria uma solução.
Mundo mundo vasto mundo,
mais vasto é meu coração.
Eu não devia te dizer
mas essa lua
mas esse conhaque
botam a gente comovido como o diabo.

Com Licença Poética - Adélia Prado
Quando nasci um anjo esbelto,
desses que tocam trombeta, anunciou:
vai carregar bandeira.
Cargo muito pesado pra mulher,
esta espécie ainda envergonhada.
Aceito os subterfúgios que me cabem,
sem precisar mentir.
Não sou tão feia que não possa casar,
acho o Rio de Janeiro uma beleza e
ora sim, ora não, creio em parto sem dor.
Mas o que sinto escrevo. Cumpro a sina.
Inauguro linhagens, fundo reinos
– dor não é amargura.
Minha tristeza não tem pedigree,
já a minha vontade de alegria,
sua raiz vai ao meu mil avô.
Vai ser coxo na vida é maldição pra homem.
Mulher é desdobrável. Eu sou.
Até o fim - Chico Buarque
Quando eu nasci veio um anjo safado
O chato "dum" querubim
E decretou que eu estava predestinado
A ser errado assim
Já de saída a minha estrada entortou
Mas vou até o fim

"Inda" garoto deixei de ir à escola
caçaram meu boletim
Não sou ladrão, eu não sou bom de bola
Nem posso ouvir clarim
Um bom futuro é o que jamais me esperou
Mas vou até o fim

Eu bem que tenho ensaiado um progresso
Virei cantor de festim
Mamãe contou que eu faço um bruto sucesso
Em Quixeramobim
Não sei como o maracatu começou
Mas vou até o fim

Por conta de umas questões paralelas
Quebraram meu bandolim
Não querem mais ouvir as minhas mazelas
E a minha voz chinfrim
Criei barriga, a minha mula empacou
Mas vou até o fim

Não tem cigarro acabou minha renda
Deu praga no meu capim
Minha mulher fugiu com o dono da venda
O que será de mim ?
Eu já nem lembro "pronde" mesmo que vou
Mas vou até o fim

Como já disse é um anjo safado
O chato "dum" Querubim
Que decretou que eu estava predestinado
A ser todo ruim
Já de saída a minha estrada entortou
Mas vou até o fim


Let's play that - Torquato Neto
quando eu nasci
um anjo louco muito louco
veio ler a minha mão
não era um anjo barroco
era um anjo muito louco, torto
com asas de avião
eis que esse anjo me disse
apertando minha mão
com um sorriso entre dentes
vai bicho desafinar
o coro dos contentes
vai bicho desafinar
o coro dos contentes
let's play that


Anjo - Sidnei Olivio
"Quando nasci um anjo torto", manco
quase morto, veio ler a minha mão.
Era um anjo muito torto, torto, torto,
mas era muito diferente, é claro
do anjo de Drummond.
Era um anjo bem barroco
rouco, rouco, rouco
com asas de avião…
Era um anjo disfarçado
pirado, endiabrado,
era um anjo beberrão…
Era um anjo muito pouco
louco, louco, louco,
solto na imensidão…
Era um anjo mascarado,
herói, cruel, tarado
um anjo gavião. 
E eu caí na ribanceira
num tropeço da fogueira
me esborrachei no chão…
Na pista do aeroporto
foi onde acharam meu corpo
sobre um rastro de avião…
Não sei o que aconteceu
mas acho que esse anjo era eu…
Ficou uma pena no chão.
Era um anjo cartomante,
um cigano, um farsante
não sacava de ler mão…
Era um anjo incompetente,
vilão, indiferente,
não me disse nada não…


A atividade proposta era, em grupos de três, elaborarem um plano de aula para trabalhar a intertextualidade.
Depois houve a socialização das propostas, que ficaram muito boas,  e a professora apresentou uma sugestão de interpretação dos poemas.

Interatividade entre crianças hospitalizadas

escola no hospital

Estudantes em tratamento de saúde têm aulas em hospitais

quarta-feira, 12 de janeiro de 2011

Múltiplas Linguagens

AS MÚLTIPLAS LINGUAGENS E A CONSTRUÇÃO DO CONHECIMENTO NA AULA DE LM E LE

Linguagens
POR: RENATA DA SILVA DE BARCELLOS (CETOP - UFF) 
Segundo os PCN s, a linguagem é “a capacidade humana de articular significados coletivos e compartilhá-los em sistemas arbitrários de representação” (2002: 124). Portanto, neste trabalho, a linguagem é considerada como um ato de comunicação. Ela é dinâmica, é a ação de um indivíduo sobre o outro. Faz-se necessário dizer que há três tipos de linguagem: a verbal (o uso do código lingüístico); a não-verbal (a utilização do não- lingüístico, que pode ser um gesto, um desenho etc); e a paraverbal (a entonação e o sotaque).
Se pensarmos, na prática pedagógica dos professores, verificamos que,   ao longo do tempo, a escola ficou restrita ao uso da linguagem verbal. Contudo, atualmente, com a evolução da tecnologia, há a necessidade de trabalharmos cada vez mais a linguagem não-verbal. Então, para se obter melhorias na qualidade do ensino, a escola precisa de professores capacitados (para adotarem uma nova prática pedagógica) para que haja uma modernização na estrutura dessa instituição e que melhore o desempenho dos alunos.
Ao utilizar a linguagem não-verbal, desconstruiremos o conceito que as pessoas têm do que seja texto (um conjunto de signos lingüísticos) e passar a entendê-lo como sendo “toda unidade de produção de linguagem situada, acabada e auto-suficiente do ponto de vista da ação ou da comunicação” (Bronckart, 1999). O texto é o elemento básico com que devemos trabalhar no processo de construção de conhecimento. É através dele que o usuário da língua desenvolve a sua capacidade de organizar o pensamento/conhecimento e de transmitir idéias, informações e opiniões.
Portanto, cabe a nós orientar o aluno desde as séries inicias a compreender/interpretar o verbal, o não-verbal e o paraverbal. No que diz respeito à interpretação, o professor deve aprofundar o nível a cada ano que passa, pois do contrário, continuaremos com um dos problemas da área de língua portuguesa: a interpretação superficial. Muitos alunos saem do Ensino Médio da rede pública e da particular sem saber ler nas entrelinhas, sem relacionar o conhecimento construído na escola com o seu conhecimento de mundo. Aliás, muitas vezes não sabe o que está acontecendo atualmente (por exemplo, o conflito em Miamar ou  a crise no senado brasileiro) ou, simplesmente, não têm noção da sua gravidade. Dessa forma, o professor deve desenvolver um trabalho integrando o conteúdo a ser trabalhado com os fatos sociais.

Material midiático
Como o objetivo geral dos PCN’s é melhorar a qualidade do ensino, uma sugestão é de o professor utilizar também material proveniente da mídia como: a linguagem da televisão, da publicidade, da charge e das tirinhas jornalísticas. A linguagem utilizada nesse corpus é sintética, pois se apresenta, em pouco tempo, por meio da combinação de imagens, de sons de fala e o mínimo de texto escrito.
O professor deve levar o aluno a perceber num texto que as linguagens podem assumir diversas funções, tais como: o icônico pode ilustrar o verbal, completar o seu sentido, ou mesmo sem a sua presença, é capaz de estabelecer sentido. No caso da linguagem não-verbal, especificamente, a imagem, podemos dizer que ao explorá-la, devemos aproximar os conhecimentos sistematizados dos já internalizados pelos alunos. Também cabe ressaltar que ao visualizarmos uma imagem, várias questões são suscitadas, tais como: um sentimento, um acontecimento, um sentido (olfato, paladar...). Para que nós possamos conscientizar os alunos desse fato e levá-los a uma reflexão crítica é preciso que adotemos também material midiático, tais como: jornal, revista, programas de televisão, filme etc. E, ao explorá-los, devemos utilizar ao máximo as redes de informação para assim criarmos as redes de conhecimento.
Com relação à seleção do corpus, devem ser escolhidos não só com base nos temas transversais: ética, meio ambiente, saúde, orientação sexual, pluralidade cultural, trabalho e consumo, que são temas de interesse dos jovens; como também relacionados aos conteúdos dados, a fim de cumprir o programa de uma determinada série; e aos fatos sociais. Cabe dizer que as propostas de atividades estão pautadas na concepção sócio-histórica de Vygotsky. Teoria essa que aborda à questão da interação social, pois, segundo o autor, o desenvolvimento humano “se dá, portanto, de fora para dentro” (1994:18).  Assim, quando elaboramos atividades cujo ponto de partida seja o conhecimento de mundo do aluno, este conseguirá realizar as atividades que lhes forem propostas com autonomia, pois “o que antes era desenvolvimento potencial passou a ser desenvolvimento real” (Vigotsky, 1994: 30).

Linguagens & inteligências
Ao utilizarmos as múltiplas linguagens, nós estaremos desenvolvendo as diferentes inteligências dos alunos. Segundo o teórico Howard Gardner (1995), cada indivíduo tem alguma inteligência mais aflorada. Sendo assim, se utilizarmos as diversas linguagens, o aluno terá melhor desempenho nas várias áreas de conhecimento.
Quanto aos tipos de inteligência, inicialmente, nos estudos realizados na Universidade de Havard, Gardner (1995) catalogou estas sete primeiras: lógico-matemática, lingüística, cinestésica-corporal, musical, espacial, interpessoa e intrapessoal. Posteriormente, incorporou outras formas como a naturalista e a existencial (1997).
Uma das implicações imediatas da teoria das Inteligências Múltiplas é a explicação do porquê uma pessoa parece mais inteligente que a outra. Segundo o autor, isso ocorre devido às diferentes oportunidades de estimulação e desenvolvimento dessas capacidades cognitivas, já que todos as detêm, igualmente, em condições potenciais. E, a partir disso, no âmbito escolar, não só podemos explorá-las de diversas formas, como também devemos propor atividades diversificadas que as contemplem para facilitar a construção do conhecimento.
Vejamos algumas sugestões para aula de LM e/ou LM:
- lógico-matemática (raciocínio): ao trabalhar números em LE, nós podemos propor uma atividade em que os alunos façam contas (adição, subtração, multiplicação e divisão) cujo resultado seja na LE;
- linguística (expressão oral e escrita): enquanto professores de linguagem (como bem diz Bechara) e com o avanço tecnológico, devemos utilizar o computador também. Mas como?
Atualmente, a Internet está fazendo cada vez mais parte do nosso quotidiano (por exemplo, enviar e-mails, fazer compras e imposto de renda). Já há muitas escolas que         a utilizam como uma das ferramentas para a construção de conhecimento dos alunos (cabe ressaltar também o ensino à distância) e/ou para o lançamento de notas e faltas. Contudo, há milhares de escolas ainda que não possuem nenhum computador, ou possuem, mas o professor não os utiliza por algum destes motivos: não domina esta tecnologia (precisa se capacitar), não tem acesso a sala onde se encontram ou o número de computadores disponíveis não é suficiente (por exemplo, dez computadores para cinqüenta alunos). 
Entretanto, mesmo que não possamos utilizá-lo dentro da escola, nada nos impede de propormos atividades (a partir do uso da Internet) para serem desenvolvidas fora dela. Vejamos alguns exemplos:
- pesquisa, por exemplo: o uso da abreviação (como as palavras são abreviadas em e-mails, orkut, etc.);
- leitura de obras literárias;
- envio de e-mails para tirar dúvidas, entregar trabalhos, justificar faltas;
- disponibilizar os melhores trabalhos para que possam ser lidos e propor um concurso para selecionar os três melhores;
- acessar a fotos de passeios e projetos promovidos pela escola;
-  cinestésica-corporal (expressão corporal): a partir de um debate acerca da letra de uma música em LM ou LE, podemos propor que um grupo de alunos apresente uma coreografia. Ou, ao trabalharmos as partes do corpo em LE, fazermos uma ginástica cujos comandos sejam na língua estudada;
- musical (cantar e/ou tocar algum instrumento): podemos pedir para que um aluno ou um grupo escolha uma música para apresentar para a turma, a partir de um tema discutido em sala ou musicalizar um poema;
- espacial (localização, mapa): ao trabalhar localização em LE, podemos utilizar um mapa para que eles possam se localizar naquela língua (por exemplo, como se faz para ir da rua X à avenida Y);
- interpessoal (sabe se relacionar com o outro): trabalhos em grupo oral ou escrito; 
- intrapessoal (introspecção): produção textual e questões discursivas;
- naturalista:  ao trabalhar o vocabulário sobre animais e as plantas na LE, nós podemos propor uma pesquisa em que os alunos entrem em contato com a natureza (podemos     levá-los ao Zoológico e/ou ao Jardim Botânico);
- existencial: selecionarmos textos cuja temática seja questões existenciais, como o sentido da vida para debate, produção textual, interpretação, etc;
Enfim, estas são apenas algumas sugestões de como desenvolver um trabalho pautado nos PCN’s, nas múltiplas linguagens e inteligências para a formação do cidadão crítico e atuante. Para isso, ao longo da nossa prática pedagógica, devemos adotar também material proveniente da mídia, por exemplo, o jornal, a fim de tornar o ensino mais produtivo, uma vez que não há uma fórmula mágica para tornar a construção do conhecimento. O que há são caminhos que podemos e devemos trilhar a partir da nossa competência e do nosso comprometimento com o ensino para resgatarmos o saber fazer de cada um de nós.

Considerações finais
Dentro desta proposta de trabalho com base na exploração das múltiplas linguagens e na estimulação das diferentes inteligências, respaldada nos PCN’s e nas novas perspectivas educacionais, verificamos que, enquanto a escola não desenvolver atividades as privilegiando, não existirá uma efetiva mudança na organização dos saberes.
Enfim, ao transformar a nossa prática, levaremos o aluno não só a desenvolver outros tipos de inteligência, como também a construir os diversos conhecimentos com mais facilidade.

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